📝 Diário 5 – Tecnologias na Educação e Políticas Públicas no Brasil

Nas últimas décadas, o Brasil criou diversos programas para incluir tecnologia na educação pública. Um marco importante foi o Livro Verde da Sociedade da Informação, lançado em 2000, que trouxe à tona a ideia de “inclusão digital”. Desde então, o governo passou a implementar políticas que buscavam garantir o acesso às tecnologias, principalmente nas escolas. Um desses programas foi o ProInfo, criado em 1997, com a missão de levar computadores e formação para professores, incentivando o uso pedagógico das tecnologias da informação e comunicação. Em 2007, o programa foi reformulado, ampliando seu alcance para áreas rurais e incluindo outras mídias além dos computadores. Mesmo assim, como destaca Bonilla (2010), muitos professores receberam apenas uma formação básica, o que dificultava o uso real dessas ferramentas de forma crítica e transformadora nas salas de aula. Outro ponto que chamou a atenção de um colega foi o Programa Banda Larga nas Escolas, criado em 2008. Ele não sabia que esse programa pretendia conectar todas as escolas públicas urbanas do país até 2010. Mas, como mostram os estudos de Bonilla (2010) e Pretto (2001), na prática, a internet muitas vezes não chegava, era instável, ou as escolas não tinham estrutura ou apoio para usá-la de forma educativa. Um exemplo claro disso foi mostrado em sala, num vídeo em que uma professora dava uma aula bem tradicional de matemática (2+2=4, 2+3=5), mesmo depois que os alunos receberam computadores. O diretor chegou animado com a “escola do futuro”, mas a aula continuava igual. Isso mostra que tecnologia sozinha não muda nada: é preciso mudar as práticas pedagógicas junto com ela. Na minha experiência pessoal, vivi algo parecido. Estudei numa escola que tinha uma sala de informática desde sua criação, mas quando entrei em 2016, ela já estava abandonada, usada como depósito. Os computadores nunca tinham sido usados. No fim, tiraram tudo e transformaram a sala em algo comum. Era como se a tecnologia estivesse ali só “pra constar”. Discutimos também a diferença entre política de governo e política de Estado. As primeiras mudam a cada gestão, o que causa descontinuidade nos projetos, mesmo quando funcionam bem. Já as políticas de Estado garantem continuidade e resultados a longo prazo. Se programas como o ProInfo fossem tratados como política de Estado, talvez os impactos fossem maiores e mais duradouros. Como diz Pretto (2001), a inclusão digital precisa ir além de preparar o aluno para o mercado: deve ser pensada como projeto de sociedade, buscando reduzir desigualdades e formar sujeitos críticos, criativos e ativos na cultura digital. Só colocar computadores ou internet nas escolas não garante aprendizagem se não houver formação, estrutura e planejamento. Por isso, mais do que falar em acesso, precisamos falar em uso real, criativo e pedagógico das tecnologias, em formação continuada de professores e em políticas públicas que pensem no longo prazo.

Comentários

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  2. Vocês realizaram uma boa apresentação sobre uma das políticas públicas, o Prolnfo, que foram debatidas na aula e que estão presentes no texto usado para auxiliar no estudo do tema. Vocês trouxeram boas reflexões sobre o modo como as políticas estão presentes quando se fala de tecnologia nas escolas. Eu estou muito animada com a possibilidade de poder trabalhar com auxílio de recursos digitais, pois são ferramentas que ajudaram muito na capacitação de habilidades já que de acordo com os estudos é nítida a falta de acesso à formação dos professores nesse contexto digital.

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    1. Grasi, espero muito que ao final dessa disciplina, essa concepção da tecnologia como ferramenta seja desconstruída. E que de fato, você pense como as tecnologias podem estruturar as suas práticas enquanto recursos pedagógicos.

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  3. Parabéns pelo post!
    É notável a necessidade de políticas públicas que atendam às demandas da sociedade, planejando projetos inclusivos que englobe todas as regiões. E possibilite melhorias eficazes e duradouras na educação, além da formação continuada aos professores para o aprimoramento das práticas pedagógicas.
    Ass. Ângela

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  4. Parabéns pessoal! Vocês mandaram muito bem nesta reflexão, ótimos pontos e essenciais na discussão. É evidente que os problemas encarregados são cada vez maiores no contexto digital, onde não inclui formação essencial aos professores e nem infraestrutura necessária para um melhor desenvolvimento tecnológico nas escolas. Diante disso, a importância do conhecimento e do processo das políticas públicas no desenvolvimento da informática em sala de aula é de extrema urgência quando se trata de um projeto mais amplo na formação de estudantes.

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  7. Concordo que só colocar computadores e internet na escola não resolve se as práticas pedagógicas continuarem as mesmas. Também passei por isso na minha escola: a sala de informática ficou abandonada. Destaco ainda a importância de tratar essas iniciativas como políticas de Estado, para garantir continuidade e resultados reais. Tecnologia na educação precisa ir além do acesso, focando no uso pedagógico, na formação de professores e na inclusão digital de verdade.

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  8. Rita e Samuel, primeiro quero sinalizar o quanto vocês estão avançando na reflexão, contudo, ainda não entendi porque não fazem uma formatação do texto, com as quebras nos parágrafos, como em qualquer outro texto. Observem que vocês estão insistindo em fazer um único parágrafo, com muito temas, o que compromete o entendimento da mensagem. Outro ponto que quero destacar e que me causou questionamentos, foi quando afirmam " muitos professores receberam apenas uma formação básica, o que dificultava o uso real dessas ferramentas de forma crítica e transformadora nas salas de aula.". Pergunto, qual parte do texto Bonilla associa tecnologia a ferramenta? O que observo é que Bonilla afirma no seu texto sobre as políticas publicas de inclusão digital na escola, "é necessário ultrapassar a ideia de uso das TIC como ferramenta de capacitação para o mercado de trabalho, através de cursos técnicos para a população de baixa renda, ou então como meras ferramentas didáticas para continuar ensinando os mesmos conteúdos na escola". Para complementar essa discussão, mostrei em aula "As tecnologias da Informação e Comunicação devem ser tomadas como elementos estruturantes das ações, mais especificamente, deve ser incorporada às práticas presenciais de forma paralela, integrada e integrante com o conjunto das demais atividades de forma a favorecer a vivência, a colaboração, a auto organização, a conectividade plena" (Bonilla, 2010). Nessa mesma linha, Nelson Pretto explica que apropriar-se dessas tecnologias como uma mera ferramenta é jogar dinheiro fora. Colocar computador, recursos multimídia e não sei mais o quê para a mesma educação tradicional, de consumo de informações, é um equívoco. Ou nós trazemos essas tecnologias com a perspectiva de modificar a forma de como se ensina e de como se apreende e isso significa, fundamentalmente, entender a interatividade e a possibilidade da interatividade como sendo o grande elemento modificador dessas relações, ou vamos continuar formando cidadãos que são meros consumidores de informações.

    Outro aspecto é que me parece que esse texto foi escrito por um de vocês, pois em muito momentos fala-se na primeira pessoa do singular - eu. Entendam que quando solicitei para que o diário fosse escrito em dupla, é entendendo que o texto deve ser escrito por duas pessoas. Não é para um fazer e o outro colocar o nome. Ou seja, vamos atentar para o nós em lugar do eu. E vamos explorar mais as possibilidades de outras linguagens. Estou sentindo falta é que explorem as possibilidades com o blog. Atentem que até agora não estão avançando nos aspectos para explorar imagem, link, vídeo ou ilustração para enriquecer a postagem, pois estão explorando apenas uma linguagem que é a imagem fixa. Observe que temos muitos temas dentro da postagem que podem fazer um hiperlink u até mesmo, trazer o vídeo, a exemplo quando citam o vídeo metodologia ou tecnologia. Então, vamos tentar explorar outras linguagens para fortalecer a reflexão e etc.. OU seja, estou sentido falta de explorar e buscar conhecer as outras possibilidades criativas e outras linguagens para o diário digital, certo? Bjos e e vamos avançar mais nesse processo.

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